Gerador de zine

Olá! Seja bem vinde ao gerador de zine. Zine ou fanzine como a gente gosta de chamar. Um zine é nada mais nada menos que um gibi de baixo custo. Algumas páginas de papel dobrada com alguma coisa pra dizer e pronto. Dentro vai ter textos e figuras produzidas pelo próprio autor, grupo de autores, ou ainda roubada de livros, revistas, internet. As pessoas fazem fanzines sobre as coisas mais diversas que você pode imaginar e a graça é você criar o seu próprio, distribuir ou vender entre os seus amigos e conversar com eles a respeito. Abaixo você tem um zine pronto para ser impresso gerado aleatoriamente a partir de conteúdos selecionados previamente pelo Estúdio Daó.

Para montar seu zine, você precisa de uma impressora e 4 folhas de sulfite.

Com esses materiais em mãos:

  1. Clique no botão imprimir abaixo ou no menu do seu navegador;
  2. Você vai precisar imprimir frente e verso. Se sua impressora tenha essa opção é só seleciona-la e seguir as instruções, caso não tenha é só fazer esse processo manualmente. O jeito mais fácil é você colocar primeiro para imprimir todas as páginas ímpares (1, 3, 5 e 7) e depois você vira as folhas, coloca novamente na impressora e pede para imprimir as páginas pares (2, 4, 6 e 8).
  3. Com as folhas impressas é só dobra-las ao meio e seu zine tá pronto!

Obs.: A impressão do zine funciona melhor no navegador Chrome.

ZINE GERADO ALEATORIAMENTE
A PARTIR DE CONTEÚDOS SELECIONADOS PREVIAMENTE

Tome cuidado com a cultura da publicidade

Gustavo Gitti

Você entra no que parece ser um centro cultural, mas é uma agência de publicidade. Você lê um manifesto sobre como mudar o mundo, mas é apenas um quadro na parede para não ficar tão evidente que ali se faz publicidade.

Parece que você está no cinema. Mas você se ouve falando no celular: “Ah, eu tô aqui no da Augusta…”. Não seria errado dizer que você está num banco que por acaso também passa filmes.

Você lê a descrição do Instagram e aquilo parece ser um movimento espiritual focado na compaixão, mas basta um pouco de pesquisa para descobrir que é uma empresa de consultoria.

Você acha que está em um debate sobre filosofia, mas é uma “ação”, um evento, um circo montado, uma armadilha. Sua fala não será ouvida. Ela será envelopada como “conteúdo” para que a marca seja associado com algo mais do que o produto.

Você compartilha uma notícia, mas aquilo é parte de uma campanha publicitária ou mero clickbait para alguém ganhar alguma grana com anúncios.

Você acha que está abrindo uma conversa sobre um tema importante…Acorde: você acabou de fazer uma “talk inspiradora”. Seu papel foi cumprido. Ao descer do palco, já tem outra pessoa falando e enchendo as pessoas com mais slides. Depois você ouvirá algo como "Gratidão por sua palestra inspiradora", mas não muito sobre os pontos que tentou levantar.

Você chora com uma história de superação, mas é um comercial vendendo tênis.

Você acha que é uma novela, mas é uma história real aparecendo na tela do ônibus. E quando você acha que é real, é uma cena da novela. O design é o mesmo: imagem e legenda embaixo. Tudo é "conteúdo" na cultura do entretenimento, vocês entendem?

Fora carros

Asterisco

@giuliafagundes______

Retícula sobre Itamar

Guilherme Vieira

entrevista concedida ao Grupo Joly

David Le Breton

Ficar em silêncio e caminhar são hoje em dia duas formas de resistência política.

Pela Paz

Cólera

Tem violência em Bruxelas,
Tem violência em Moscou,
Tem violência em nova Iorque
E também no Brasil.
Têm vinganças religiosas,
Têm vinganças de raças,
Têm vinganças de governos
Tenho medo da guerra.

Mas quem se importa?
Mas quem se importa?
— Eu me importo, eu me importo

PELA PAZ, PELA PAZ
PELA PAZ EM TODO MUNDO!

Mais o ódio se espalha.
Mais aumenta a fome.
Mais as vidas são tiradas
De dentro dos homens.
São mais armas para o mundo.
São mais filmes violentos.
São crianças aprendendo
Matar ou morrer.

Colgate

Lupe de Lupe

O sol se pôs
Mas eu não vi
Eu vejo tanta tristeza nos dentes brancos de quem ri
A juventude é esperta demais
Tem dias que

Quando eu penso na morte
Minha pele diz pra eu distrair
Hoje eu não quero sair
E ouvir nem dois minutos
Do que você tem pra me dizer sobre não ter ninguém

Meus parabéns
Você retornou
Li na sua mensagem que o ciso torto é o que mais dói
O nosso corpo é fraco demais
Meu coração
Agora pulsa manchado, laçado numa cicatriz
Hoje eu não quero sair
E ouvir nem dois minutos
Do que você tem pra me dizer sobre não ter ninguém

Sobre controle social e comportamento coletivo

Robert Park

Assim, indiretamente, e sem qualquer clareza da natureza de sua tarefa, fazendo a cidade o homem refez a si mesmo.

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Guilherme Felitti

Além do cappuccino, do Vaticano e do fascismo, a sociedade moderna deve à Itália o conceito de empresa. Ainda que grupos de pessoas venham se unindo sob uma mesma organização para fazer comércio desde a Mesopotâmia, 3 mil anos antes de Cristo, foi durante o Império Romano que tomou forma a estrutura da empresa que conhecemos até hoje.

“Eles certamente criaram alguns dos conceitos fundamentais de legislação corporativa, particularmente a ideia de que uma associação de pessoas pode ter uma identidade coletiva separada dos seus componentes humanos. Eles ligavam as companhias à família, a unidade básica da sociedade. Os sócios — ou ‘socii’ — deixavam a maior parte das decisões gerenciais para os gerentes, que, por sua vez, operavam o negócio, administravam os agentes no campo e mantinham ‘tabulae accepti et expensi’, os livros de contabilidade”. Ainda que os romanos tenham dado a primeira forma, foram outros italianos que, baseado no que os romanos já tinham criado, aperfeiçoaram o modelo. Esse trecho é de um livro excepcional chamado The company: A short history of a revolutionary idea, de dois jornalistas da revista The Economist, John Micklethwait e Adrian Wooldridge.

Uma pequena aula de história: depois que o Império Romano cai, o grupo que começa ganhar relevância na Itália são os mercadores, principalmente os concentrados na região de Veneza. É daí que vem a ascensão do Doge de Veneza, a autoridade máxima da República de Veneza. O poder que tinha no comércio marítimo fez de Veneza o centro comercial da Europa durante quase mil anos, o que ajuda a explicar a suntuosidade dos palácios e das igrejas que você visita hoje em dia após desviar das pombas que infestam a cidade. A necessidade de financiar muitas viagens comerciais para o Oriente obrigou Veneza a criar um modelo muito parecido com o praticado por fundos de investimento de risco: capitalistas se juntavam para colocar seu dinheiro em um projeto (uma esquadra em direção à Indonésia, por exemplo, atrás de temperos) e poderiam lucrar com comércio marítimo sem nunca terem colocado os pés em um barco. Começava aí o modelo que nos levou às sociedades anônimas que temos hoje, com empresas que abrem capital na bolsa.

A Todo Anarquista

Flicts

A todo aquele que anda sobre a terra
A todo aquele que trava sua guerra
A quem não reconhece muros nem prisões
A quem não respeita correntes nem grilhões
Aos que não esperam que o tempo lhes dê razão
Aos que ousam derrubar a moral e a tradição
A todo aquele que abraça a deliqüência
A todo aquele que vive a inconseqüência

OOOOO
A todo anarquista

A todo aquele sem pátria nem bandeira
A todo aquele sem hino nem fronteira
Aos que se arriscam a peitar autoridade
Aos que se arriscam a dançar com a liberdade
Aos que não esperam que o tempo lhes dê razão
Aos que ousam derrubar a moral e a tradição
A todo aquele que abraça a deliqüência
A todo aquele que vive a inconseqüência

OOOOO
A todo anarquista

The Cleaners

Giovani Castelucci

A Revolução Urbana

Henri Lefebvre

A forma do espaço urbano evoca e provoca essa concentração e essa dispersão: multidões, acumulações colossais, evacuações, ejeções súbitas.

Pensar a democracia

Marilena Chaui

No capitalismo, são imensos os obstáculos à democracia, pois o conflito dos interesses é, na verdade, expressão do fundamento mesmo da divisão social, ou seja, a contradição entre o capital e o trabalho e, portanto, a exploração de uma classe social por outra. Assim, por exemplo, se é verdade que as lutas populares nos países do capitalismo central ou metropolitano ampliaram os direitos dos cidadãos e que a exploração dos trabalhadores diminuiu muito, sobretudo com o Estado do Bem-Estar Social, também é verdade, no entanto, que houve um preço a pagar: a exploração mais violenta do trabalho pelo capital recaiu sobre os trabalhadores dos países da periferia do sistema. Por outro lado, também é inegável, em toda parte, a fragilidade dos direitos políticos e sociais sob a ação do neoliberalismo e, portanto, do encolhimento do espaço público e alargamento do espaço privado ou do mercado, sob a forma da privatização e da chamada “desregulação econômica”. Além disso, ao abandonar os investimentos dos fundos públicos nos serviços e direitos sociais e ao destinar os fundos públicos ao aumento da liquidez do capital para o desenvolvimento das novas tecnologias, o Estado neoliberal põe em risco todos os direitos econômicos e sociais conquistados pelas lutas populares.

Colagem Carolina Maria de Jesus

@giuliafagundes______